domingo, 18 de setembro de 2011

LANCEIROS NEGROS A TROPA DE CHOQUE DO EXÉRCITO FARROUPILHA


Certamente o assunto mais polêmico da Revolução Farroupilha até hoje é a participação dos negros na revolta e a posição dos comandantes dela frente á escravidão. Não há resposta simples a essa questão: "os farrapos eram ou não eram abolicionistas?" pode-se afirmar que tanto negros libertos como escravos, índios, mulatos e brancos pobres envolveram-se ativamente no movimento.
Os farrapos, contrariando a maioria das revoltas acontecidas no Brasil à época, não tiveram medo de armar os escravos e conceder-lhes liberdade, caso se engajassem na luta contra o império. Spencer Leitman relata assim a captura de pelotas pelos rebeldes, em sete de abril de 1836: " terminada a batalha, os farrapos armaram cerco de 400 escravos que haviam caído em suas mãos, pois sentiam necessidade de aumentar seu exército e teriam libertado a todos se os charqueadores não fugissem para o Rio Grande, levando todos que com eles ficaram. João Manuel (de Lima e Silva) era o principal promotor do alistamento dos libertos, mestiços errantes e escravos no exército republicano que se formava. Meses antes da vitória em Pelotas, ele havia organizado alforriados numa unidade de infantaria."
Em 12 de setembro de 1836 é constituído o primeiro Corpo de Cavalaria de Lanceiros Negros, por insistência do Comandante João Manuel. A formação tinha mais de 400 homens e ocorre na véspera da batalha do Seival, onde faz importante papel na vitória sobre os imperiais. Sob comando do tenente-coronel Joaquim Pedro Soares e mais tarde do Major Joaquim Teixeira Nunes, o grupo participa da expedição a Laguna, sendo importante na constituição da Republica Juliana. Os lanceiros Negros formavam a tropa de choque do exército farroupilha. A importância deles era tão grande que a 31 de agosto de 1838 forma-se o segundo Corpo, com 426 combatentes negros.
Eles foram assim descritos por Garibaldi: " Os terríveis lanceiros (....), todos livres e todos domadores de cavalos, tinham feito movimento de avanço, envolvendo o flanco direito do inimigo, que se viu obrigado a fazer-lhes frente também pela direita, em desordem. Os valentes libertos, impotentes pela ferocidade, faziam-se mais firmes do que nunca e aquele incomparável pelotão, composto de escravos alforriados pela República, selecionados entre os hábeis domadores da Província, todos negros, exceto os oficiais superiores, parecia uma floresta de lanças. O inimigo jamais tinha visto pelas costas estes verdadeiros filhos da liberdade, que tão bem combatiam por ela. Suas lanças, mais longas do que o normal, suas caras negríssimas, suas suas robustas extremidades, endurecidas pelo constante e fatigante exercício, e sua perfeita disciplina, infundiam terror ao inimigo."
Para enfrentar a crescente participação dos negros nas tropas riograndenses, o Império baixa decreto, em 1838, instituindo a Lei da Chibata, ordenando que todo "escravo" preso junto às forças rebeldes recebesse de 200 a mil chibatadas e promete alforria àqueles que se entregasse as forças imperiais. O revide dos riograndenses mostra o pensamento da maioria das lideranças farroupilhas sobre a escravidão. Em decreto de 11 de maio de 1839, os farrapos não consideram os negros que lutavam nas tropas revoltosas como escravos e sim homens livres. Mostra ainda que a libertação dos escravos, mediante pagamento aos proprietários , não era feita só àqueles que lutavam pelos farroupilhas, mas aos que trabalhavam nas oficinas e na colonização. Destaque-se que os farrapos tinham entre seus lideres dois mulatos: o mineiro Domingos José de Almeida-ministro do Tesouro-e o carioca José Mariano de Mattos - duas vezes ministro da Guerra e da Marinha e presidente da República Farroupilha de 13/11/1838 até 14/03/1841.

BREVE COMENTÁRIO Á REVOLUÇÃO FARROUPILHA


O vinte de setembro marca o aniversário da Revolução Farroupilha, que teve, durante dez anos (1835 a 1845), homens de todas as raças, credos e cores defendendo a então Província frente ao todo poderoso Império brasileiro, com as bandeiras da Republica e da federação. A data é, simbolicamente, inicio e fim de uma das mais duras guerras contra o poder centralizador e escravista do império do Brasil.

Até hoje a Guerra dos Farrapos gera polêmica, seja como acontecimento histórico, sem dúvida o mais importante da história gaúcha, ou quanto às interpretações e a valorização. A verdade e que esse grande evento deixara marcas profundas no imaginário e na psicologia do povo gaúcho, espelhando o espírito de rebeldia e luta.

Durante todos esses anos houve tentativas de apropriar-se da Revolução Farroupilha, principalmente pelos grandes pecuaristas gaúchos. Contudo, basta investigação pouco menos superficial para observar que os fazendeiros hegemonizaram a luta pela República, com descontentamento frente ao império, no que tange às questões econômicas da então Província, mas inúmeras contradições e vacilações frente à escravidão; enquanto negros, índios, mestiços e brancos pobres engrossavam as frentes de batalha, buscando liberdade, melhores empregos e condições econômicas.

Assim, há de se compreender que o principal motivo da declaração de guerra ao império opressor era o caráter progressista pela luta República e pela Federação. E é, a partir disso, que a Revolução Farroupilha tem a adesão de pobres do campo, mestiços, índios, escravos e negros libertos. A luta era muito atrativa a todos esses povos, pois eles só tinham perspectivas de melhorar de vida com a participação na guerra.

As condições históricas do momento da revolta foram agregadoras para todos os grupos sociais que à época se formavam. Então, se houve manobra dos grandes proprietários de terra, houve aproveitamento daqueles que viram na guerra oportunidade de melhorar de vida.

domingo, 17 de julho de 2011

A REDE GLOBO

A rede Globo de Televisão, do Brasil, é a quarta maior cadeia televisiva do mundo, a maior da América Latina e um virtual monopólio nacional das comunicações. A família Marinho, herdeira do fundador, Roberto Marinho (1904-2003), é a principal acionista do grupo e tem sob seu controle um sistema que abrange 40 grupos filiados que juntos detêm 111 emissoras de TV, 2 canais TVA e 17 de TV por assinatura ( entre elas os sistemas por assinatura Net e SKy Multi Country). O sistema Globo de Rádio envolve 15 emissoras AM e FM e tem como filiadas 168 rádios comerciais e uma comunitária. Estão também vinculados à Globo os 40 principais grupos de comunicação do País, como a gaúcha RBS (RS e SC), o terceiro maior grupo privado de comunicação do Brasil.

Esse total representa 33% da base instalada de TV no país. O conglomerado possui ainda as editoras Globo (27 revistas, entre elas o semanário Época) e Cochane (gráfica), portal de internet (Globo.com, em associação com Telecom Itália), a Gobofilmes e gravadoras ( Sigla e RGE), o Projac, cidade cenográfica de um milhão de metros quadrados. Alem disso, fazem parte do grupo 36 jornais entre eles o Globo, Extra (no Rio de Janeiro) e Valor Econômico (em associação com o grupo Folhas). A família Marinho também possui o Banco RoMa e a Fundação Roberto Marinho, entre outras empresas. Atualmente as emissoras de televisão abertas da rede atingem 99,8% do território e da população de brasileiros.

A holding teve inicio em 1925, com o jornal A Noite fundado por Irineu Marinho, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, é lançado um segundo jornal, o matutino O Globo. Pouco a pouco torna-se uma pessoa influente tanto no âmbito empresarial quanto politico. Em 1944, inaugura a Rádio Globo, tambem no Rio de Janeiro.

Voltada especialmente para a veiculação de radionovelas e campeonatos de futebol, a emissora teve imensa aceitação popular. Mas foi a partir do lançamento da TV Globo, em 24 de abril de 1965, que o império de Roberto Marinho deslancha. Existiam, na época, três outras emissoras, em São Paulo: a TV Tupi, de Assis Chateaubriand, a TV Record, de Paulo Machado de Carvalho, e a TV Exelcior, de São Paulo, dono da empresa de aviação Panair do Brasil e magnata do café.

A partir desse ano, a Globo começa a mudar a veiculação de publicidade usual em outras emissoras, na qual as empresas patrocinavam programas inteiros. A TV criou uma modulada, estabeleceu horários rigidos para a programação, continuidade e padronização nas novelas, iniciando o chamado "padrão Globo de qualidade'.

Em 1970 o Brasil integrava-se através de um programa de comunicações por satélite e em 1972 a cor chegava à televisão. Dois anos depois, o país buscava pressionar seus vizinhos a mudar seus sistemas branco e preto para cor, afim de abrir mercado para seus programas, o que favorecia a principal produtora de conteúdos, A rede Globo.

Nesses anos, na fase mais repressiva da ditadura militar(1964-1985), a Globo consolidou sua supremacia. A vinculação da emissora com a ditadura foi estreita. Por conta disso, buscou ignorar ou desqualificar quaisquer manifestação de descontentamento com o regime.

Em 1975, na época da morte do jornalista Vladimir Herzog, nas celas da policia politica em São Paulo, a Rede difundiu a versão oficial, de suicídio. Em 1982, suas emissoras envolveram-se no escanda-lo das fraudes na apuração das eleições para governador no Rio de Janeiro, na qual saiu vencedor seu principal desafeto, Leonel Brizola ( 1924-2005). A empresa responsável pela contagem dos votos apontava como favorito o candidato apoiado pela Globo que, por sua vez, veiculava a noticia nacionalmente. Brizola desmascarou a fraude e tornou-se, até sua morte, persona non grata na Globo.

Em 1984, a emissora tentou apresentar um dos primeiros comícios do movimento das Diretas-Já, que galvanizou o país, como sendo apenas uma festa alusiva ao aniversario da cidade de São Paulo.

O monopólio da Globo nunca foi seriamente ameaçado pelas outras redes. Sua capacidade de adaptação ao governante de turno foi tamanha que, em poucos meses, em 1985, mudou o irrestrito apoio que dedicava ao regime militar para a defesa do primeiro governo civil pós-ditadura, presidido por José Sarney. Na época, a empresa influiu na nomeação do proprietário de uma subsidiaria sua como ministro das comunicações, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães.

Em 1989, na primeira campanha eleitoral direta para a residencia da Republica apos a ditadura, a empresa de Roberto Marinho editou de maneira truncada o ultimo debate entre os candidatos Fernando Collor de Melo, por ela apoiado, e Lula. O encontro terminara altas horas da noite, com uma audiência reduzida. uma versão compacta foi exibida no dia seguinte, nos noticiarios vespertinos e noturno, de larga audiência, mostrando os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. O fato ocorreu dois dias antes da disputa nas urnas e impediu uma resposta por parte do candidato do Partido dos Trabalhadores.

Mas a grande simbiose politica da emissora se deu com o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Ela apoiou decididamente a campanha pela privatização das estatais e colocou-se na linha de frente na defesa do ajuste neoliberal materializado pelo Plano Real.

Roberto Marinho foi classificado em 2001 como o décimo segundo homem mais rico da America Latina, segundo a revista Forbes. A essa altura, era dono de uma fortuna de cerca de US$ 1,5 bilhão.

A Globo chegou ao ano 2000 como responsável por cerca de 80% do conteúdo de programação nacional televisiva. A Rede emprega em torno de 15 mil pessoas e possui um audiência ao redor de 40%, num país que conta com cerca de 40 milhões de receptores, seis redes nacionais de TV aberta - uma delas estatal - e duas cadeias regionais. Há perto de 300 emissoras espalhadas pelo país. a maioria constituída por repetidoras das grandes cadeias. A Rede cobria, no ano 2000, 99,84% dos 5043 municípios brasileiros, através de 113 emissoras entre geradoras e afiliadas.

A partir de 1980, os meios de comunicação brasileiros passaram a ser controlados por poucos grupos, alguns familiares. Entre eles estão a famílias Marinho, Frias, Civita, Abravanel, Saad, Mesquita e Sirostsky, embora o panorama venha se alterando nos últimos anos. Com a acelerada abertura da economia brasileira nos anos 1990 e com a crise cambial de 1999, os grupos familiares, para reestruturar as suas dividas, passaram a pressionar o Estado para que pudessem se abrir a investimentos externos, algo até ali vetado por lei.

Quando a ditadura militar brasileira acabou, em 1985, não houve alteração alguma na já acentuada concentração patrimonial dos meios de comunicação. Tal dinâmica se acentuaria nas negociações congressuais para a aprovação do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Foram distribui das 418 novas concessões de radio e televisão a parlamentares de sua base de sustentação. No total, Sarney autorizou em seu governo (1985-1980) 1.020 concessões de radio e TV, o que representa 30% de todas as concessões feitas no Brasil desde o inicio da radiofusão, em 1922.

CONCLUSÃO

O brasil tinha, em 2008, 603 jornais diários, que somavam 8.487 milhões de exemplares, de acordo com a Associação Nacional de Jornais (ANJ).

O principal meio de comunicação do país é a televisão. Dentro desta, a maior audiência, em 2009, é a da Rede Globo ( 44,3%), seguida da Record ( 16,7%), do SBT (14,3%) da Rede Bandeirantes (4,8%) e da Rede TV(2,4%). Uma serie de pequenas emissoras soma os restantes soma os restantes 17,5% da audiência, segundo dados da Abert. As emissoras por assinatura alcançavam cerca de seis milhões de pagantes.

A televisão brasileira é tecnicamente uma das mais avançadas do mundo. Essa eficiência também se materializa na cobertura da totalidade do território nacional e na força politica que o meio alcançou. O setor publico de televisão é residual numa areá constituida em sua larga maioria por corporações privadas.