A rede Globo de Televisão, do Brasil, é a quarta maior cadeia televisiva do mundo, a maior da América Latina e um virtual monopólio nacional das comunicações. A família Marinho, herdeira do fundador, Roberto Marinho (1904-2003), é a principal acionista do grupo e tem sob seu controle um sistema que abrange 40 grupos filiados que juntos detêm 111 emissoras de TV, 2 canais TVA e 17 de TV por assinatura ( entre elas os sistemas por assinatura Net e SKy Multi Country). O sistema Globo de Rádio envolve 15 emissoras AM e FM e tem como filiadas 168 rádios comerciais e uma comunitária. Estão também vinculados à Globo os 40 principais grupos de comunicação do País, como a gaúcha RBS (RS e SC), o terceiro maior grupo privado de comunicação do Brasil.
Esse total representa 33% da base instalada de TV no país. O conglomerado possui ainda as editoras Globo (27 revistas, entre elas o semanário Época) e Cochane (gráfica), portal de internet (Globo.com, em associação com Telecom Itália), a Gobofilmes e gravadoras ( Sigla e RGE), o Projac, cidade cenográfica de um milhão de metros quadrados. Alem disso, fazem parte do grupo 36 jornais entre eles o Globo, Extra (no Rio de Janeiro) e Valor Econômico (em associação com o grupo Folhas). A família Marinho também possui o Banco RoMa e a Fundação Roberto Marinho, entre outras empresas. Atualmente as emissoras de televisão abertas da rede atingem 99,8% do território e da população de brasileiros.
A holding teve inicio em 1925, com o jornal A Noite fundado por Irineu Marinho, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, é lançado um segundo jornal, o matutino O Globo. Pouco a pouco torna-se uma pessoa influente tanto no âmbito empresarial quanto politico. Em 1944, inaugura a Rádio Globo, tambem no Rio de Janeiro.
Voltada especialmente para a veiculação de radionovelas e campeonatos de futebol, a emissora teve imensa aceitação popular. Mas foi a partir do lançamento da TV Globo, em 24 de abril de 1965, que o império de Roberto Marinho deslancha. Existiam, na época, três outras emissoras, em São Paulo: a TV Tupi, de Assis Chateaubriand, a TV Record, de Paulo Machado de Carvalho, e a TV Exelcior, de São Paulo, dono da empresa de aviação Panair do Brasil e magnata do café.
A partir desse ano, a Globo começa a mudar a veiculação de publicidade usual em outras emissoras, na qual as empresas patrocinavam programas inteiros. A TV criou uma modulada, estabeleceu horários rigidos para a programação, continuidade e padronização nas novelas, iniciando o chamado "padrão Globo de qualidade'.
Em 1970 o Brasil integrava-se através de um programa de comunicações por satélite e em 1972 a cor chegava à televisão. Dois anos depois, o país buscava pressionar seus vizinhos a mudar seus sistemas branco e preto para cor, afim de abrir mercado para seus programas, o que favorecia a principal produtora de conteúdos, A rede Globo.
Nesses anos, na fase mais repressiva da ditadura militar(1964-1985), a Globo consolidou sua supremacia. A vinculação da emissora com a ditadura foi estreita. Por conta disso, buscou ignorar ou desqualificar quaisquer manifestação de descontentamento com o regime.
Em 1975, na época da morte do jornalista Vladimir Herzog, nas celas da policia politica em São Paulo, a Rede difundiu a versão oficial, de suicídio. Em 1982, suas emissoras envolveram-se no escanda-lo das fraudes na apuração das eleições para governador no Rio de Janeiro, na qual saiu vencedor seu principal desafeto, Leonel Brizola ( 1924-2005). A empresa responsável pela contagem dos votos apontava como favorito o candidato apoiado pela Globo que, por sua vez, veiculava a noticia nacionalmente. Brizola desmascarou a fraude e tornou-se, até sua morte, persona non grata na Globo.
Em 1984, a emissora tentou apresentar um dos primeiros comícios do movimento das Diretas-Já, que galvanizou o país, como sendo apenas uma festa alusiva ao aniversario da cidade de São Paulo.
O monopólio da Globo nunca foi seriamente ameaçado pelas outras redes. Sua capacidade de adaptação ao governante de turno foi tamanha que, em poucos meses, em 1985, mudou o irrestrito apoio que dedicava ao regime militar para a defesa do primeiro governo civil pós-ditadura, presidido por José Sarney. Na época, a empresa influiu na nomeação do proprietário de uma subsidiaria sua como ministro das comunicações, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães.
Em 1989, na primeira campanha eleitoral direta para a residencia da Republica apos a ditadura, a empresa de Roberto Marinho editou de maneira truncada o ultimo debate entre os candidatos Fernando Collor de Melo, por ela apoiado, e Lula. O encontro terminara altas horas da noite, com uma audiência reduzida. uma versão compacta foi exibida no dia seguinte, nos noticiarios vespertinos e noturno, de larga audiência, mostrando os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. O fato ocorreu dois dias antes da disputa nas urnas e impediu uma resposta por parte do candidato do Partido dos Trabalhadores.
Mas a grande simbiose politica da emissora se deu com o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Ela apoiou decididamente a campanha pela privatização das estatais e colocou-se na linha de frente na defesa do ajuste neoliberal materializado pelo Plano Real.
Roberto Marinho foi classificado em 2001 como o décimo segundo homem mais rico da America Latina, segundo a revista Forbes. A essa altura, era dono de uma fortuna de cerca de US$ 1,5 bilhão.
A Globo chegou ao ano 2000 como responsável por cerca de 80% do conteúdo de programação nacional televisiva. A Rede emprega em torno de 15 mil pessoas e possui um audiência ao redor de 40%, num país que conta com cerca de 40 milhões de receptores, seis redes nacionais de TV aberta - uma delas estatal - e duas cadeias regionais. Há perto de 300 emissoras espalhadas pelo país. a maioria constituída por repetidoras das grandes cadeias. A Rede cobria, no ano 2000, 99,84% dos 5043 municípios brasileiros, através de 113 emissoras entre geradoras e afiliadas.
A partir de 1980, os meios de comunicação brasileiros passaram a ser controlados por poucos grupos, alguns familiares. Entre eles estão a famílias Marinho, Frias, Civita, Abravanel, Saad, Mesquita e Sirostsky, embora o panorama venha se alterando nos últimos anos. Com a acelerada abertura da economia brasileira nos anos 1990 e com a crise cambial de 1999, os grupos familiares, para reestruturar as suas dividas, passaram a pressionar o Estado para que pudessem se abrir a investimentos externos, algo até ali vetado por lei.
Quando a ditadura militar brasileira acabou, em 1985, não houve alteração alguma na já acentuada concentração patrimonial dos meios de comunicação. Tal dinâmica se acentuaria nas negociações congressuais para a aprovação do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Foram distribui das 418 novas concessões de radio e televisão a parlamentares de sua base de sustentação. No total, Sarney autorizou em seu governo (1985-1980) 1.020 concessões de radio e TV, o que representa 30% de todas as concessões feitas no Brasil desde o inicio da radiofusão, em 1922.
CONCLUSÃO
O brasil tinha, em 2008, 603 jornais diários, que somavam 8.487 milhões de exemplares, de acordo com a Associação Nacional de Jornais (ANJ).
O principal meio de comunicação do país é a televisão. Dentro desta, a maior audiência, em 2009, é a da Rede Globo ( 44,3%), seguida da Record ( 16,7%), do SBT (14,3%) da Rede Bandeirantes (4,8%) e da Rede TV(2,4%). Uma serie de pequenas emissoras soma os restantes soma os restantes 17,5% da audiência, segundo dados da Abert. As emissoras por assinatura alcançavam cerca de seis milhões de pagantes.
A televisão brasileira é tecnicamente uma das mais avançadas do mundo. Essa eficiência também se materializa na cobertura da totalidade do território nacional e na força politica que o meio alcançou. O setor publico de televisão é residual numa areá constituida em sua larga maioria por corporações privadas.